Guia do Kit de Primeiros Socorros
Em emergência, os serviços de saúde (SAMU 192, UPA, hospital) podem demorar horas ou até dias para chegar. Um corte enquanto cozinha com lata, uma queda enquanto se desloca no escuro durante apagão, ou reação alérgica quando a farmácia está fechada: qualquer dessas situações pode virar problema sério se não tiver um kit de primeiros socorros preparado. A Cruz Vermelha Brasileira recomenda que cada lar tenha um kit completo e que pelo menos um membro da família saiba usar.
Este guia explica o que deve conter o seu kit, como organizar e como manter atualizado. Não precisa ser médico: com os materiais certos e conhecimento básico você consegue tratar a maioria das lesões menores e estabilizar situações graves até chegar ajuda profissional.
Aviso importante: este guia é orientativo e não substitui formação em primeiros socorros. Recomendamos fazer um curso básico com a Cruz Vermelha Brasileira, com o Corpo de Bombeiros ou com a Defesa Civil. Em qualquer emergência sanitária grave, ligue 192 (SAMU), 193 (Bombeiros) ou 199 (Defesa Civil).
Material de curativo
O material de curativo é a base do kit. Serve para limpar, desinfetar e proteger feridas menores, que são as mais frequentes em qualquer emergência.
- Gazes esterilizadas: de diferentes tamanhos (7x7 cm e 10x10 cm). Para limpar e cobrir feridas. Tenha pelo menos 10-15 unidades.
- Ataduras de crepom: de 5 cm e 10 cm de largura. Para fixar gazes, imobilizar entorses ou fazer compressão. 2-3 rolos de cada tamanho.
- Esparadrapo hipoalergênico: para fixar gazes e ataduras. O Micropore é o mais comum.
- Curativos adesivos (Band-Aid): de vários tamanhos. Os de tecido resistem melhor que os de plástico. Um pacote sortido.
- Compeed para bolhas: as bolhas são frequentes se precisar caminhar muito numa evacuação.
- Soro fisiológico em sachê: para lavar feridas e olhos. Mais prático e seguro do que usar água da torneira em emergência.
- Antisséptico: clorexidina ou iodopovidona (Povidine). A clorexidina é menos agressiva e não mancha a pele. Evite a água oxigenada: danifica o tecido saudável.
HONYAO Kit 220 peças
220 peças organizadas. Cobre 80% do que precisa desde o primeiro dia
Medicamentos básicos
Os medicamentos que incluir dependem da sua família, mas há um núcleo comum que cobre as queixas mais habituais (todos disponíveis sem receita na Drogaria Pacheco, Drogasil, Pague Menos ou farmácia popular):
- Paracetamol (Tylenol): para dor e febre. É o analgésico mais seguro para a maioria da população, incluindo crianças (dose pediátrica) e gestantes.
- Ibuprofeno (Advil, Buscofem): anti-inflamatório e analgésico. Útil para dor muscular, batida e dor de cabeça. Não indicado para pessoas com problema gástrico.
- Antidiarreico (Imosec, loperamida): a diarreia pode ser problema sério em emergência, especialmente se a água ou comida estiverem contaminadas. A desidratação por diarreia é perigosa.
- Sais de reidratação oral (SRO): sachês que se dissolvem em água potável. Indispensáveis para tratar desidratação por diarreia, vômito ou calor extremo. Em falta, faça soro caseiro (veja abaixo).
- Anti-histamínico (Loratadina, Cetirizina): para reação alérgica leve (picada, urticária). Loratadina e cetirizina não dão sono.
- Buscopan composto: para cólica intestinal e dor de estômago. Comum no Brasil.
- Dramin: para enjoo e cinetose (útil em evacuação de carro).
- Creme para queimadura: tipo Nebacetin ou Sulfadiazina de Prata. As queimaduras são frequentes ao cozinhar com fogo aberto ou vela.
- Pomada antibiótica (Nebacetin): para feridas com risco de infecção. Aplicar apenas em feridas limpas.
Medicação contínua: a parte mais importante
Se algum membro da família toma medicação contínua (pressão, diabetes, tireoide, epilepsia, asma...), este ponto é crítico. A Defesa Civil recomenda ter sempre uma reserva de pelo menos 30 dias de toda medicação contínua. Em emergência, farmácias podem estar fechadas, sem estoque ou inacessíveis.
- Converse com seu médico sobre manter prescrição adiantada para emergências.
- Guarde a medicação de reserva no kit de emergência, não no mesmo local da de uso diário.
- Verifique os prazos de validade a cada 3 meses e rode a medicação.
- Tenha cópia das receitas e lista com nomes, doses e horários. Em papel, não só no celular.
Para pessoas com diabetes que usam insulina, a insulina precisa de refrigeração. Em apagão prolongado, consulte o médico sobre opções de conservação. Veja o nosso guia de energia para opções de manter dispositivos médicos ligados.
Instrumental e equipamento
- Tesoura de pontas rombas: para cortar ataduras, esparadrapo e roupa se necessário.
- Pinça: para retirar farpas, carrapatos ou fragmentos de vidro.
- Termômetro digital: a febre é indicador-chave em muitas situações. Não use termômetro de mercúrio (tóxico se quebrar).
- Luvas de nitrilo: para proteção ao tratar feridas de outras pessoas. Pelo menos 10 pares. O nitrilo é melhor que látex porque dá menos alergia.
- Máscaras PFF2 (N95): úteis tanto para proteção contra poeira, fumaça (incêndios, queimadas do Pantanal 2024) como em situação de pandemia. Tenha pelo menos 10 unidades.
- Manta térmica de emergência: pesa menos de 50 gramas dobrada e previne hipotermia. Reflete o calor corporal. Tenha pelo menos 2 por pessoa.
- Torniquete: para hemorragia grave. Requer treinamento para uso correto. Em curso de primeiros socorros ensinam.
Torniquete CAT Gen 7
O torniquete que SAMU e Bombeiros usam. Aplicação com uma mão
Organização do kit
- Container resistente: bolsa ou caixa rígida de plástico, impermeável, com fecho seguro. De preferência cor chamativa (vermelho ou laranja) para encontrar rápido.
- Localização acessível: todos os membros da família devem saber onde está. Fora do alcance de crianças pequenas mas fácil de pegar em evacuação.
- Dois kits: um completo em casa e um básico menor na mochila de evacuação ou no carro.
- Inventário: cole uma lista na tampa interna com todo o conteúdo. Assim você sabe na hora se falta algo.
Manutenção: revisão a cada 3 meses
Um kit com medicamentos vencidos ou gazes abertas não vai te servir quando precisar. Programe um lembrete trimestral para:
- Verificar os prazos de validade de todos os medicamentos.
- Repor o que foi usado ou venceu.
- Confirmar que as gazes esterilizadas seguem seladas.
- Verificar que as luvas de nitrilo não estão ressecadas (o calor degrada).
- Atualizar a medicação contínua se houve mudança de dose ou tratamento.
Máscaras PFF2 50 unid.
Pack 50 máscaras. Para poeira, fumaça ou pandemia
Lista rápida: o seu kit de primeiros socorros
- Gazes esterilizadas, ataduras de crepom, esparadrapo e curativos Band-Aid sortidos
- Soro fisiológico em sachê e antisséptico (clorexidina)
- Paracetamol, ibuprofeno, antidiarreico (Imosec) e anti-histamínico (Loratadina)
- Buscopan, Dramin e sais de reidratação oral
- Creme para queimadura (Nebacetin) e pomada antibiótica
- Medicação contínua para 30 dias
- Tesoura, pinça, termômetro digital
- Luvas de nitrilo (10 pares) e máscaras PFF2 (10 unid.)
- Mantas térmicas de emergência
- Cópia das receitas em papel
Um kit de primeiros socorros bem preparado faz a diferença entre um incômodo menor e um problema médico sério. Invista algumas horas para montar, revise regularmente e garanta que a sua família saiba onde está e como usar o básico. Complemente o kit com o resto do seu plano: veja o guia de higiene para manter a saúde e use o nosso planificador para calcular tudo que precisa. Veja também o nosso guia completo do kit de primeiros socorros.
Fontes: Cruz Vermelha Brasileira, Defesa Civil (gov.br/defesa-civil), Organização Mundial de Saúde (OMS), SAMU 192, Anvisa.
Perguntas frequentes
O que tem que ter um kit de primeiros socorros pela ANVISA?
A Anvisa, em conjunto com o Ministério da Saúde e a Cruz Vermelha Brasileira, recomenda que todo lar tenha um kit básico com: gazes esterilizadas (10-15 unidades), ataduras de crepom (2-3 rolos de 5 e 10 cm), esparadrapo Micropore, curativos adesivos Band-Aid sortidos, soro fisiológico em sachê (10 unidades), antisséptico (clorexidina ou Povidine), luvas de nitrilo descartáveis (10 pares), tesoura sem ponta, pinça inox, termômetro digital, manta térmica aluminizada (2 por pessoa) e máscaras PFF2. Para medicamentos sem receita: paracetamol, ibuprofeno, soro oral, antidiarreico (Imosec), anti-histamínico (Loratadina), creme para queimadura e pomada antibiótica (Nebacetin). Para medicação contínua, mantenha reserva de 30 dias com receita em papel. Veja o kit pronto em /blog/kit-primeiros-socorros-lista-completa ou compare opções comerciais em /componentes/primeiros-socorros.
Como tratar picada de escorpião amarelo em casa antes de chegar ao SAMU?
O escorpião amarelo (Tityus serrulatus) é responsável por mais de 100.000 acidentes/ano no Brasil, principalmente em SP, MG e RJ. A maioria dos acidentes em adultos é leve, mas em crianças, idosos e cardiopatas pode ser grave. Protocolo do Instituto Butantan: (1) lave a área da picada com água e sabão; (2) NÃO faça torniquete, NÃO corte, NÃO chupe e NÃO aplique álcool; (3) eleve o membro picado e aplique compressa fria (saco com gelo embrulhado em pano) por 10 minutos para reduzir dor; (4) ofereça paracetamol para dor (NUNCA ibuprofeno nem AAS — interferem na coagulação); (5) leve IMEDIATAMENTE ao hospital ou ligue 192 (SAMU), levando se possível o escorpião morto em pote fechado para identificação. Sinais de gravidade que exigem corrida: vômito persistente, sudorese profusa, salivação excessiva, tremores, dificuldade respiratória, agitação, batedeira no coração. O soro antiescorpiônico só existe em hospitais maiores e UPAs. Em emergência, leve com você os produtos de primeiros socorros e veja o guia completo.
Como prevenir leptospirose depois de pisar em água de enchente?
A leptospirose foi a principal complicação pós-enchente do Rio Grande do Sul em maio de 2024, com mais de 400 casos confirmados em Canoas, Porto Alegre e Eldorado do Sul. A bactéria Leptospira é transmitida pela urina do rato em água parada. Se pisou em água de enchente ou lama: (1) lave imediatamente toda a pele que teve contato com sabão e água potável, especialmente arranhões, cortes ou feridas abertas; (2) tome banho completo o quanto antes; (3) descarte calçados e roupas que tiveram contato direto ou desinfete com água sanitária por 30 minutos; (4) procure imediatamente uma UBS ou UPA para profilaxia com doxiciclina 200 mg em dose única (recomendada pelo Ministério da Saúde nas primeiras 72 horas pós-exposição em zona de enchente confirmada); (5) monitore sintomas por 14 dias: febre alta, dor de cabeça forte, dor muscular intensa nas panturrilhas, olhos vermelhos. Em qualquer sintoma, ligue 192 (SAMU) ou vá direto ao pronto-socorro mencionando exposição à enchente. Em zona de enchente, monte kit completo do guia para zona inundável e veja botas e luvas em /componentes/primeiros-socorros.
Como fazer soro caseiro contra desidratação (receita OMS)?
O soro caseiro é a receita oficial do Ministério da Saúde e da OMS para reidratação em diarreia, vômito, calor extremo ou exercício intenso quando não tem soro industrializado disponível. A receita: 1 litro de água potável (fervida ou tratada) + 1 colher de sopa rasa de açúcar (cerca de 20 g) + 1 colher de chá rasa de sal (cerca de 3,5 g). Misture bem até dissolver completamente. Ofereça em pequenos goles de 5 ml a cada 2-3 minutos para criança pequena, ou copo a copo para adulto, alternando com outros líquidos. A proporção exata é crítica: muito sal pode piorar a desidratação. Em farmácia, o sachê de sais de reidratação oral (R$ 3-8) é mais preciso e prático para o kit. ATENÇÃO: se a criança vomita tudo, fica letárgica, urina menos de 4 vezes no dia, tem olhos fundos ou boca seca, leve IMEDIATAMENTE ao 192 (SAMU) ou pronto-socorro. Em surto de dengue (Brasil teve mais de 6 milhões de casos em 2024), o soro caseiro é a primeira linha de tratamento. Compare opções de SRO em /componentes/primeiros-socorros ou veja a lista completa em /blog/kit-primeiros-socorros-lista-completa.
Qual é o número do SAMU e da Defesa Civil para emergência médica?
No Brasil, cada tipo de emergência tem número próprio. Para emergência médica, decore 192: é o SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, disponível 24 horas em todo o país, gratuito, funcionando inclusive em celular sem chip. Ligue 192 para: infarto, AVC (derrame), parada cardíaca, convulsão, queimadura grave, fratura exposta, sangramento grave, intoxicação, picada de animal peçonhento com sintomas, acidente de trânsito, parto fora de hospital. Para outras emergências: 193 (Bombeiros, para incêndio, resgate, afogamento), 190 (Polícia Militar, para violência), 199 (Defesa Civil, para enchente, deslizamento, vendaval). Em zona rural ou cidade pequena sem SAMU, ligue 193 (Bombeiros) que assume também emergências médicas. Imprima esses 4 números (192, 193, 190, 199) em cartão laminado e cole na geladeira, dentro do kit de primeiros socorros e na carteira de cada adulto. Em rede congestionada (apagão prolongado, enchente), o SMS para 40199 da Defesa Civil ainda funciona. Veja o cartão pronto para imprimir em /blog/plano-evacuacao-familiar-passo-a-passo ou compare kits em /componentes/primeiros-socorros.
Produtos verificados de primeiros socorros
Consulte o nosso catálogo de material de curativo, medicamentos e equipamento sanitário selecionados.
Ver produtos de primeiros socorros →A nossa recomendação
Se só puder fazer uma coisa, monte um kit básico com gazes, esparadrapo, antisséptico e analgésicos simples. Não precisa de mala clínica para começar: o essencial é conseguir tratar cortes, queimaduras pequenas e dor até chegar ajuda. Use a nossa calculadora médica para priorizar componentes, ou o planejador do PlanRefugio para ajustar o kit ao seu agregado.
O seu kit de primeiros socorros está pronto para emergência?
O planificador verifica o material médico que você precisa conforme a sua família e indica o que falta.
Verificar o meu kit de primeiros socorros